Editorial: O Século das Cidades

O Século das Cidades, por Rodrigo de Oliveira Perpétuo, Secretário-Executivo do ICLEI América do Sul, e Bruna Cerqueira, Gerente de Relações Institucionais do ICLEI América do Sul

O Século das Cidades. É assim que vem sendo qualificado o ciclo dos próximos 100 anos da humanidade. De fato, foi somente em 2007 que a maior parte da população mundial passou a viver em áreas urbanas, e as projeções apontam para um crescimento exponencial da proporção de pessoas que sairão dos campos em direção às urbis - até 2050, a população urbana será de 68%, com tendência de crescimento.

No caso brasileiro, este fenômeno já é uma realidade desde a segunda metade do século passado. O Brasil, país mais urbanizado da América Latina e onde mais de 84% das pessoas vivem em áreas urbanas, é símbolo de um desafio ao mesmo tempo antigo, complexo e contemporâneo: melhorar a qualidade de vida das pessoas nas cidades, permitindo uma vida minimamente digna a esses cidadãos.

Esse fenômeno encontra outra inflexão global na segunda década deste século: os acordos globais pelo desenvolvimento sustentável. Na esteira de um esforço internacional coletivo que se iniciou em Estocolmo, em 1972, é apenas a partir de 2010 que este movimento em prol da conciliação das agendas pela prosperidade, pessoas, planeta e parcerias ganha intensidade e convergência no sistema internacional. Também neste contexto o Brasil é pioneiro, já que sediou a Eco 92 e a Rio +20, ambas no Rio de Janeiro.

Foram essas duas inflexões que permitiram a emergência de mais um movimento de vanguarda liderado pelos municípios brasileiros, o Fórum dos Secretários Municipais de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras, conhecido como CB27. Criado em 2012, durante a Rio+20, com o apoio da Fundação Konrad Adenauer, o Fórum já realizou mais de 30 reuniões, em 23 capitais, com média de frequência de 20 secretários por reunião, pautando temas como mudanças climáticas, adaptação e resiliência, licenciamento, gestão ambiental, financiamento entre tantos outros temas, e oferecendo um ambiente de troca de experiências e ação em prol de mais sustentabilidade nas cidades.

Essas 27 cidades são conscientes do seu papel de multiplicadores de conhecimento e boas práticas públicas, e têm se esforçado para disseminar o conhecimento gerado no âmbito do Fórum, tanto na perspectiva da transversalidade nas próprias administrações municipais, como também na extensão do alcance das suas iniciativas para a sociedade civil e setor privado.

O ICLEI América do Sul orgulha-se por cumprir o seu papel e a sua missão como um parceiro estratégico do CB27, apoiando em seu planejamento, na curadoria de conteúdos e preparação dos encontros, nas estratégias de comunicação, advocacy e cooperação, e operando a Secretaria Executiva do Fórum.

As ações contidas neste relatório relatam a trajetória de sete anos do CB27 e espelham em seus anos mais recentes o compromisso e qualidade da gestão 2017-2018, liderada pelo Secretário André Fraga, de Salvador, e fruto de uma construção coletiva e colaborativa que, esperamos, possa inspirar não apenas as capitais, mas todos os municípios brasileiros, rumo a um modelo de desenvolvimento local resiliente, de baixo carbono, centrado nas pessoas e que priorize as soluções baseadas na natureza.